Brasileiros de mudança para Portugal *

(…) O Brasil já não é a mãe gentil dos filhos do seu solo e, apesar de “adorada entre outras mil” é da sua própria terra, da sua própria casa, que o brasileiro quer fugir – e está coberto de razão.

No Porto, um condutor da Uber contou-me que fugiu da violência escancarada depois de um menor ter atirado sobre o seu pai para matar, num túnel do Rio. Guarda a mágoa de querer ver de longe o lugar que o viu nascer e agora morre mesmo é de amores por Portugal, onde cria raízes com os pais, a esposa e o filho.

Um amigo largou tudo e veio para Lisboa. Uma amiga, depois de falarmos no Brasil, pediu o visto e veio estudar. Se têm saudades? Devem ter, mas voltar para casa não faz parte dos planos. A casa agora, aos poucos, é aqui. A eles juntam-se outros amigos e conhecidos com o desejo de vir, ou que já vieram. Digo-lhes que se a ideia é sair do Brasil, deixando armas e trazendo bagagens, Portugal é a escolha certa.

Falamos a mesma língua, com mais ou menos açúcar, partilhamos de uma paixão quase rara pelos prazeres da mesa e temos um vínculo histórico fortíssimo: somos pai e filho, irmãos, parceiros.

Digo também, a cada um, que este país não é feito para enriquecer -e se isso não é um problema, temos conversa para continuar. Não é mesmo disso que se trata. É de sobrevivência. E também da recusa em nos tornarmos monstros no caos.

Quem chega é gente que só pede para viver ao som dessa quase inacreditável balada portuguesa, nessa terra à beira-mar plantada, onde nada é exagerado e tudo parece conjugar-se “como antigamente”. Um país de tradições, que tem por tradição uma série de valores humanos incontornáveis. O brasileiro tem urgência disso.

É difícil de explicar o quão boa é a sensação de existir sem medos, num sítio onde podemos ir e vir, onde temos uma liberdade quase inocente e há uma ética social em que podemos confiar. Isso, para quem veio do caos, é como uma Coca-Cola bem gelada no deserto. É como nos colocar ao colo e embalar.

Num Brasil que não se entende, numa terra de pequenos gigantes da corrupção, com manadas armadas contra o povo, onde impera a lei do “mata-mata“ e onde só tem voz quem se corrompe desde o berço – por poder, por dinheiro ou por alienação -, só há uma forma de respirar: sair. E agora, como nunca, em português com açúcar, “sair” significa Portugal.

Quem sabe, nesse presente intercultural, no regresso desses filhos, possamos todos, brasileiros e portugueses, trocar alegria rasgada por empatia?

Impostos pagos por educação? Churrasco sem limites pelo café da esquina?

* Trecho do artigo “Brasileiros de mudança para Portugal: a fuga verde e amarela”, de Luana Freire (www.publico.pt, 20/07/2018).

Motivação

MOTIVAÇÃO

Desde 2014, o Brasil vive uma grave crise econômica, talvez a maior de sua história. Para piorar, vive também uma crise política sem precedentes, que faz com que o horizonte não seja nada promissor.

Nos Estados Unidos, os efeitos da grave crise imobiliária da década passada ainda são muito presentes. Além disso, o temor da adoção de medidas radicais pelo Governo Federal, tanto no contexto interno quanto no externo, deixa uma nuvem de insegurança no ar.

Nesse cenário, Portugal tem sido a escolha de muitos(as) empresários(as) brasileiros(as) que buscam fugir da violência, da crise econômica e política de seu País ou que querem melhor qualidade de vida, sem o ritmo alucinante e o consumismo norte-americano.

Destino Portugal

Enquanto o Brasil segue ladeira abaixo e os EUA metem medo, Portugal tem números que só fazem aumentar a vontade dos(as) empresários(as) em virem para estas terras.

Em crescimento constante desde 2014, o país cresceu 2,7% no último ano, o maior índice desde 2000. O desemprego, que chegou próximo aos 18% no auge da crise econômica,
fechou o último mês em 6,7%, abaixo da média europeia que é de 8,3%.

Some-se a isso ser o 3.o país mais seguro do mundo, ter um bom sistema educacional, um bom sistema de saúde, ser um país com boa segurança jurídica,
ter comidas e bebidas deliciosas, monumentos históricos, belezas naturais, cultura…